
O Instituto Caminho – Raça e Acesso deu um passo importante na consolidação de sua atuação ao instituir o Comitê de Ética, Compliance e Cuidado e formalizar a implementação do seu Programa de Compliance e Integridade. A iniciativa foi oficializada por meio da assinatura de uma carta compromisso no Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, 21 de março, que estabelece diretrizes para fortalecer a transparência, a proteção institucional e a responsabilidade ética da organização. Na oportunidade, o advogado Ricardo Behling, do escritório PMR Advocacia, esteve presente.

A nova comissão, formada por integrantes do Caminho, com o auxílio do escritório PMR Advocacia, será responsável pela criação de instrumentos como o Código de Ética, Conduta e Cuidado, a Política de Salvaguarda, o Manual de Procedimentos Administrativos e o Plano Singular de Segurança Integral (ESP).
Entre as medidas previstas, está a implementação de canais internos de denúncia seguros, confidenciais e, quando necessário, anônimos. A proposta é garantir que relatos de irregularidades possam ser feitos sem risco de retaliação, com acompanhamento rigoroso e institucional. Os canais também serão amplamente divulgados, como forma de estimular o uso e fortalecer a cultura de integridade.
No campo da segurança, o Caminho aposta em uma abordagem integrada. A Estratégia Singular de Proteção inclui o uso de tecnologias criptografadas, a gestão cuidadosa de dados sensíveis e a limitação de acesso a informações estratégicas, reduzindo riscos de vazamentos. O plano também reconhece o cuidado com a saúde mental como dimensão central para a sustentabilidade do trabalho, especialmente em contextos de alta exposição e pressão.
A carta compromisso avança ainda sobre a gestão patrimonial e a governança, com definição clara de responsabilidades, protocolos de controle de ativos e mecanismos de monitoramento da transparência no uso de recursos — incluindo aqueles provenientes de bancos públicos e fundos de desenvolvimento.
Outro eixo estruturante é o compromisso com a comunicação ética. O Caminho prevê a definição de parâmetros de convivência entre seus diferentes públicos, políticas de posicionamento institucional e ações formativas contínuas voltadas à integridade, à prevenção da corrupção e à segurança integral. Também estão previstas avaliações periódicas para medir o grau de maturidade ética da organização.
Para Eduarda Garcia, diretora executiva do Instituto Caminho, a formalização do programa responde diretamente aos desafios do campo de atuação. “Trabalhamos em contextos complexos, e isso exige responsabilidade redobrada. Nosso foco é mapear, mitigar e prevenir riscos de forma contínua”, afirma.
Já a diretora de Acesso à Justiça Lidiane Padilha destaca que a iniciativa organiza práticas que já fazem parte do cotidiano da instituição. “O cuidado sempre esteve presente. Agora, avançamos na estruturação desses processos, garantindo mais consistência e transparência”, diz.
Dados recentes mostram que 91% das empresas brasileiras já adotam programas de compliance, sendo que 97% possuem códigos de conduta e 92% contam com canais de denúncia independentes, segundo pesquisa da KPMG divulgada pela Carta Capital. Ao adotar essas diretrizes, o Instituto Caminho se alinha às boas práticas de governança, ampliando esse debate no campo das organizações da sociedade civil.
A assinatura da carta marca o início dos trabalhos da Comissão de Compliance e Cuidado e reforça um posicionamento institucional que conecta ética, proteção e justiça social como bases indissociáveis da sua atuação.

Atuando na construção de estratégias de acesso à justiça e no enfrentamento às violências que impactam a população negra, o Instituto reconhece que sua presença em territórios sensíveis — como o sistema prisional — exige mecanismos robustos de prevenção, cuidado e gestão de riscos.