Pouco depois de completar dois anos da maior enchente da história do Rio Grande do Sul, Porto Alegre sediará, entre os dias 20 e 26 de julho, a 1ª Semana da Ação Climática. O lançamento oficial da iniciativa ocorreu em 29 de maio, no Multipalco Eva Sopher, do Theatro São Pedro, e contou com a presença do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago.
A atividade foi conduzida pelas enviadas especiais da COP30, Denise Dora e Jurema Werneck, e reuniu autoridades, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Integrante do movimento internacional Climate Action Weeks, a programação busca conectar sociedade civil, universidades, movimentos sociais, instituições e lideranças em torno dos desafios impostos pela emergência climática. O Instituto Caminho está entre as mais de 30 entidades organizadoras do evento, ao lado de instituições como Anistia Internacional, Observatório das Metrópoles, Instituto Preservar e Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos.
A Semana da Ação Climática será um espaço de diálogo e construção de soluções para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Entre os temas que estarão em debate estão direitos humanos, igualdade de gênero, resiliência urbana, segurança alimentar, cooperativismo e cadeias produtivas sustentáveis.
Também participam da organização entidades como Cáritas Internacional, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Elas pelo Clima e representantes das cozinhas solidárias.

Porto Alegre viveu os efeitos das mudanças climáticas
Durante o lançamento, Denise Dora, enviada especial da COP30 para Direitos Humanos e Transição Justa e conselheira da Themis, destacou a importância de conectar a experiência vivida pelos gaúchos durante a tragédia climática de 2024 ao debate internacional sobre o clima.
“Localmente, a gente viveu, experimentou o efeito das mudanças climáticas. Uma grande emergência climática em 2024, mas também em 2023. Então nós somos uma população que tem uma experiência muito concreta dos efeitos da mudança climática, do aquecimento do planeta e de como isso pode ser devastador na vida das pessoas”, afirmou.
Segundo Denise, o Rio Grande do Sul tem experiências e soluções importantes a compartilhar com o mundo, ao mesmo tempo em que precisa aproximar o debate global da realidade local para fortalecer estratégias de adaptação climática.
Ela também ressaltou que a crise climática agravou desigualdades sociais já existentes.
“As pessoas que majoritariamente perderam suas casas são as pessoas da periferia. Pequenos negócios nunca mais conseguiram remontar suas atividades”, observou.
Para a especialista, a agenda climática precisa caminhar junto com a agenda de direitos humanos.

“Porto Alegre virou símbolo da adaptação”, diz presidente da COP30
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, destacou que a ciência, a cooperação internacional e a implementação de políticas públicas são fundamentais para enfrentar a crise climática.
“Nós acreditamos na ciência e sabemos hoje que temos relativamente pouco tempo para combater aquilo que está afetando de maneira muito significativa o clima”, afirmou.
Segundo o embaixador, o enfrentamento da crise climática é complexo porque envolve transformações profundas em uma economia global ainda fortemente dependente dos combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa.
Apesar dos desafios das negociações internacionais, Corrêa do Lago ressaltou que houve avanços importantes, especialmente na compreensão de que é necessário combinar ações de mitigação — voltadas à redução das emissões — com medidas de adaptação das cidades e das infraestruturas aos impactos já em curso.
Durante entrevista, ele afirmou que Porto Alegre passou a ocupar um lugar de destaque no debate climático internacional.
“O caso de Porto Alegre mostra a diferença que faz uma infraestrutura preparada para as alterações provocadas pela mudança do clima, que está gerando desastres na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. Porto Alegre virou um símbolo dessa dimensão da adaptação”, declarou.

A solidariedade como exemplo
Outro aspecto destacado pelo presidente da COP30 foi a mobilização da sociedade gaúcha durante a tragédia climática.
Segundo ele, Porto Alegre tornou-se símbolo não apenas dos impactos da crise climática, mas também da capacidade de resiliência e solidariedade demonstrada pela população.
Para o embaixador, as cidades precisarão incorporar cada vez mais os riscos climáticos em seus planejamentos urbanos e financeiros.
“Os governos das cidades precisam do apoio das populações. Infelizmente, foi uma tragédia como a que aconteceu aqui que fez com que a população estivesse plenamente consciente da importância de incorporar as ameaças da mudança do clima em todas as obras públicas”, afirmou.
Corrêa do Lago destacou ainda que as Semanas da Ação Climática têm como objetivo aproximar as discussões internacionais da população.
“A ideia é aproximar o tema das pessoas. Se são os governos que negociam as grandes decisões das COPs, são as cidades que têm um papel fundamental na implementação dessas decisões”, ressaltou.

Que caminho seguir?
Questionado sobre quais caminhos podem ser adotados pela sociedade diante da crise climática, o embaixador destacou a importância da participação cidadã também por meio das escolhas políticas.
“Primeiro, votando naqueles que estão incorporando o combate à mudança do clima em seus projetos de governo”, afirmou.
Para ele, a emergência climática já influencia os rumos da inovação tecnológica, das políticas públicas e das relações internacionais.
“A mudança do clima, de certa forma, está orientando o que há de mais avançado na política moderna”, concluiu.
Acompanhe a programação da 1ª Semana da Ação Climática em Porto Alegre pelo Instagram @semanadaacaoclimatica.poa.

Com informações do Brasil de Fato RS

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