Do luto à luta: mãe transforma perda do filho em resistência pela juventude negra

Em 2014, Catarina Machado perdeu seu filho, Marcelo Machado Gonçalves, conhecido como Marcelinho, assassinado aos 15 anos. Morador do bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, Marcelinho teve sua vida interrompida pela violência que atinge de forma brutal a juventude negra e periférica. Diante da dor irreparável, Catarina decidiu transformar o luto em ação, criando iniciativas que buscam proteger e fortalecer jovens em sua comunidade.

Com o apoio de vizinhos, amigos e colegas de seu filho, Catarina encontrou forças para continuar, retomou os estudos e avançou na formação acadêmica até o doutorado. Hoje, atua em projetos de ensino profissionalizante voltados para jovens quilombolas e lidera uma entidade que leva o nome de seu filho, promovendo oportunidades e reivindicando políticas que garantam o direito ao bem viver da juventude negra, tendo sido uma das fundadoras do Espaço Cultural Marlon e Marcelinho na Cohab Rubem Berta.

O Instituto Caminho acompanhou o caso de Marcelinho, garantindo que a família tivesse acesso à Justiça. Atuamos na fase do júri, prestando informações sobre o andamento processual, recorrendo quando necessário e assegurando que todas as instâncias fossem acionadas para o reconhecimento do crime e a responsabilização. Em um sistema jurídico com linguagem inacessível para grande parte da população, nosso papel foi garantir que a família de Marcelinho entendesse cada passo do processo, reafirmando que justiça não pode ser um privilégio, mas um direito de todas as pessoas. Seguimos ao lado de quem transforma a dor em luta e a indignação em mobilização.